O fervo como arsenal: um protesto cultural contra o ultraconservadorismo
DOI:
https://doi.org/10.18227/2675-3294repi.v6i1.8825Palabras clave:
Cultura;, Resistência;, LGBTQIAPN ;, Identidade;, Direitos.Resumen
Este artigo analisa os espaços culturais frequentados pela comunidade LGBTQIAPN+ como instrumentos de resistência, acolhimento e reafirmação política em um contexto de avanço do ultraconservadorismo no Brasil. A partir de entrevistas semiestruturadas com sete participantes, realizadas no mês de agosto de 2025, e da revisão de dados secundários buscou-se compreender como tais ambientes influenciam a construção de identidades e promovem sensação de pertencimento. Os resultados indicam que festivais, festas e ocupações culturais, especialmente em Fortaleza, constituem territórios de visibilidade, sociabilidade e enfrentamento às violências estruturais que atravessam família, escola e sociedade. Evidencia-se que, embora não resolvam todas as formas de exclusão, esses espaços oferecem suporte simbólico e coletivo, permitindo que indivíduos possam vivenciar afetos, celebrar suas diferenças e fortalecer laços comunitários. Conclui-se que a valorização da cultura é fundamental para consolidar direitos e ampliar a democracia, reafirmando a existência plena das pessoas sexo-gênero dissidentes.
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