Chamada para publicação Repi n. 7 - Dossiê Educação e Interculturalidade
Refletir sobre os processos educativos e as suas implicações interculturais nos leva a uma imersão em um conjunto complexo de relações que inclui questões étnicas e linguísticas, mas também geracionais: de gênero e sexualidade, diversidades funcionais, territoriais, étnicas e todo um outro espectro de relações de diferenças de situações profundamente humanas. Pensar a interculturalidade a partir das experiências dos sujeitos da/na educação traz à tona, visibiliza, as interseções vivenciadas concretamente pelos sujeitos e grupos que interagem nas salas de aula das escolas e em outros espaços educativos.
Nesse contexto, perguntamos de quem é a questão da diversidade? Ou quem trata da diversidade? É uma preocupação ética em relação a qualquer outra figura de alteridade? Ou uma obsessão de tipo legal /legalista em relação a outra já tipificada por nós? E diante da pergunta do outro, implícita nesses discursos, nos perguntamos: de quem é essa pergunta? É uma pergunta nossa sobre o outro? Uma pergunta que é direcionada para o outro? Uma pergunta que pressupõe que o outro é quem deve obrigatoriamente responder? Ou é uma pergunta que pertence ao outro, sua propriedade, uma pergunta que nos chega do outro?
Trata-se de uma temática que perpassa as dimensões de identidade, cultura, saber e poder, que na contemporaneidade se tem incorporado, na sua formalidade, em alguns discursos da ordem que ainda mantem seu espírito homogeneizador e de controle. Por outro lado, também se entende a interculturalidade como um processo permanente de relacionamento, comunicação e aprendizado entre pessoas, grupos, conhecimentos, de diferentes valores e tradições, visando gerar, construir e fomentar o respeito mútuo, para um pleno desenvolvimento das capacidades dos indivíduos, acima de suas diferenças culturais e sociais. Igualmente, a partir da ideia de interculturalidade, alguns sujeitos tentam romper com a história hegemônica de uma cultura dominante e outras subordinadas e, assim, reforçar identidades tradicionalmente excluídas para construir, na vida cotidiana, uma convivência de respeito e legitimidade entre todos os grupos da sociedade.
Neste contexto temático, convidamos a pesquisadoras e pesquisadores para participar como autor(es) de artigos (de pesquisa/criação ou de revisão teórica) que farão parte deste dossier especial da Revista Educação, Pesquisa e Inclusão (REPI) do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
É nosso objetivo com este dossier motivar o desenvolvimento e disseminação de pesquisas e experiências de ensino, aprendizagem e formação de professores que partam da consideração e respeito da diversidade cultural e promovam a sua coexistência em diferentes tempos e espaços.



