GESTÃO DE CUSTOS DA CADEIA PRODUTIVA DA PESCA ARTESANAL NO VALE DO GUAPORÉ, RONDÔNIA – BRASIL

FREITAS,$space}CLODOALDO OLIVEIRA (clodoaldo@unir.br)
ADMINISTRAÇÃO, UNIVERSIDAD NACIONAL DE MISIONES-ARGENTINA
November, 2016
 
DOUTOR em ADMINISTRAÇÃO pela Universidade Nacional de Misiones - UNAM-Argentina (2015). MESTRE em ADMINISTRAÇÃO pela Faculdade de Estudos Administrativos - FEAD/MG (2012). BACHAREL em CIÊNCIAS CONTÁBEIS pela Universidade Federal de Rondônia (2006) e graduação em LICENCIATURA PLENA EM MATEMÁTICA pela Universidade Federal de Rondônia (1997) ESPECIALISTA em MATEMÁTICA. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Rondônia -UNIR, dos Departamentos: de Engenharia de Pesca e Zootecnia do Campus de Presidente Médici-RO. Tem experiência na área de Administração Rural, Matemática, Contabilidade Rural, Metodologias Participativas e Gestão Participativas.

http://lattes.cnpq.br/7366892820840582
 

Resumo

A pesca artesanal, como extrativismo, se perde na história da humanidade, iniciando antes mesmo da formação das sociedades e mantendo através dos tempos, evoluindo com as diversas civilizações. Nessa conjuntura, essa asserção tem o objetivo de identificar a gestão de custos nos elos da cadeia produtiva da pesca artesanal no Vale do Guaporé-RO, com a finalidade de contribuir na construção de políticas públicas que fortaleçam a organização e a produção sustentável de pescado. A tese aqui exposta buscou referencial teórico sobre gestão de custos da cadeia produtiva do pescado. A pesquisa de campo ocorreu no Vale do Guaporé, com os atores da cadeia produtiva da pesca artesanal. Para tanto, utilizou-se do método Indutivo, com caráter descritivo, com abordagem quanti-qualitativa. As ferramentas e técnicas das metodologias participativas de forma associada, atuam por meio da triangulação de: (i) roteiro de questionário semiestruturado; (ii) análise de documentos e outros materiais da entidade; (iii) oficinas participativas com destaque para o (DRP) Diagnóstico Rápido Participativo, analisado por meio das observações, estatística e comparação cientifica. Conclui-se que a cadeia produtiva do Vale do Guaporé é composta de quatro elos, sendo: insumos e documentos => pescador artesanal => atravessadores => consumidor final. No elo insumos e documentos se destaca a colônia que auxilia com insumos (gelo subsidiado), garante todos os documentos necessários para a execução da atividade, agrega ainda a promoção dos direitos dos pescadores, defesa dos interesses da categoria, auxilia no acesso aos benefícios sociais provenientes das políticas públicas e contribui com suporte no processo de comercialização, agrega-se aí, o comércio local fornecendo todo suporte para que se consiga produzir. O segundo elo é o pescador, ele é imprescindível, ou seja, a cadeia só existe em função da sua existência. O pescador é responsável pela produção do pescado de modo sustentável, obedecendo as legislações pertinentes. No terceiro elo, os atravessadores são responsáveis para fazer com que o pescado saia do pescador até chegar a mesa do consumidor. No Vale do Guaporé, este elo é composto de: peixarias, distribuidores, restaurantes, lanchonetes e pousadas. No quarto elo tem-se o consumidor final, com a função de motivar a cadeia, pois são suas necessidades que fazem o processo surgir. A pesca artesanal no Vale do Guaporé é descentralizada, com autonomia dos pescadores, com baixo volume de produção por pescador, apresenta pouco impacto ambiental e é a segunda maior fonte de geração de emprego e renda. Os pescadores não têm nenhum tipo de controle, porém todos apontaram a necessidade e vontade de participar de capacitações sobre o tema. A gestão compartilhada dos recursos é percebida como uma saída viável e sustentável para a pesca artesanal e o turismo. Na pesca artesanal, vê-se a necessidade de aumentar o valor da cota, atualmente 10kg/dia e permitir redes de pesca como apetrechos. A produção de pescado de terceira seria processada, gerando emprego e renda, de modo que este produto pudesse acessar as políticas públicas de comercialização, garantindo o fortalecimento dos pescadores, possibilitando o acesso ao crédito, dando sustentação a colônia e aos demais componentes da cadeia produtiva. Todo esse processo deverá ser feito mediante pesca compartilhada para otimizar os recursos investidos e utilizando-se de instrumentos de controle de gestão de custos em todo o processo produtivo. Acrescenta-se a necessidade de implementar ações de proteção permanente, aumentar o grau de fiscalização na atuação dos pescadores e turistas, garantir a permanência das matas ciliares, proteger as nascentes e igarapés, pois são os berçários contra a degradação provocada pelo agronegócio, como também manter e beleza da flora e fauna do vale do Guaporé.