POLÍTICA DE DIVIDENDOS E O CICLO DE VIDA ORGANIZACIONAL: EVIDÊNCIAS DAS COMPANHIAS LISTADAS NA B3

Carolina Carvalho, Ismael Paulo Heissler, Fernanda Gomes Victor, Arthur Frederico Lerner

Resumo


A política de dividendos abrange as decisões das companhias sobre a remuneração aos seus acionistas, o quanto será distribuído e o quanto irá ser reinvestido de seus rendimentos. Diversas pesquisas buscam determinar os principais fatores que levam as empresas a pagar ou deixar de pagar dividendos. O objetivo deste estudo é avaliar a relação entre a política de dividendos e o ciclo de vida organizacional, mapeados conforme os diferentes comportamentos (sinais positivos ou negativos) dos componentes dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de financiamento e de investimento, segundo o modelo de Dickinson (2011). A amostra totalizou 145 companhias com ações negociadas na B3 e compreendeu o período de 2008 a 2016. As análises foram efetuadas por meio de regressão modelo tobit, com dados em painel não balanceados, para duas variáveis dependentes distintas: dividend payout e dividend yield. Os resultados demonstram indícios de relação da política de dividendos com as três etapas iniciais do ciclo de vida, nascimento, crescimento e maturidade. As etapas de nascimento e crescimento apresentaram significância negativa para o yield, corroborando com o estudo de Mueller (1972). A terceira etapa, maturidade, apresentou relação positiva para os testes com as duas variáveis de interesse, o que reafirma os estudos de Miller e Modigliani (1963) e Anthony e Ramesh (1992), de que empresas no estágio de maturidade tendem a ter um acréscimo no pagamento de dividendos em relação àquelas em fases iniciais; por outro lado, refutam o estudo de Miller e Frisen (1984) que demonstra que os estágios de maturidade, assim como declínio, indicam características mais conservadoras das companhias, e pagam menos dividendos. As demais significâncias encontradas reafirmaram os resultados esperados para tais variáveis.

Palavras-chave


política de dividendos; ciclo de vida organizacional; fluxo de caixa; companhias brasileiras de capital aberto

Texto completo:

PDF

Referências


Abor, J., & Bokpin, G. A. (2010). Investment opportunities, corporate finance, and dividend payout policy: evidence from emerging markets. Studies in Economics and Finance, 27 (3), 180-194.

Adizes, I. (1979). Organizational passages: Diagnosing and treating life cycle problems in organizations. Organizational Dynamics, 9 (1), 3-24.

Alves, L. C. O., & Marques, J. A. V. (2007). Identificação das fases do ciclo de vida de empresas através da Análise das Demonstrações dos Fluxos de Caixa. BASE - Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, 4 (3), 249-262.

Anthony, J. H., & Ramesh, K. (1992). Association between accounting performance measures and stock prices: A test of the life cycle hypothesis. Journal of Accounting and Economics, 15, 203–227.

Bender, R., & Ward, K. (1993). Corporate financial strategy. Oxford: Butterworth-Heinemann.

Black, E. L. (1998). Life-cycle impacts on the incremental value-relevance of earnings and cash flow measures. Journal of Financial Statement Analysis, 4, 40-57.

Brennan, M. (1970). Taxes: market valuation and corporate financial policy. National Tax Journal, 23 (4), 417- 427.

Bulan, L., & Yan, Z. (2010). Firm maturity and the pecking order theory.

Chandler, A, D. (1962). Strategy and structure. Cambridge, Mass.: MIT Press.

Channon, D. (1973). Strategy and Structure in British Enterprise. Boston: Harvard University Press.

Damodaran, A. (2001). Corporate finance: theory and practice. New York: John Wiley and Sons.

Denis, D. J., & Osobov, I. (2008). Why do firms pay dividends? International evidence on the determinants of dividend policy. Journal of Financial Economics, 89 (1), 62-82.

Dickinson, V. (2011). Cash Flow Patterns as a Proxy for Firm Life Cycle. The Accounting Review, 86 (6), 1969-1994.

Forti, C. A. B., Peixoto, F. M., & Alves, D. L. (2015). Fatores determinantes do pagamento de dividendos no Brasil. Revista Contabilidade e Finanças – USP, 26 (68), 167-180.

Gordon, M. J. (1959). Dividends, earnings, and stock prices. The Review of Economics and Statistics, 41 (2), 99-105.

Greiner, L. E. (1972). Evolution and revolution as organizations grow. Harvard Business Review, 50, 37-46.

Grullon, G., Michaelly, R., & Swaminathan, B. (2002). Are dividend changes a sign of firm maturity? The Journal of Business, 75 (3), 387-424.

Gup, B.E. et al. (1993). An analysis of patterns from the statement of cash flows. Financial Practice and Education, 3 (2), 73-79.

Hassani, M., & Dizaji, F. (2013). Life cycle theory and dividend payout policy: Evidence from Tehran Stock Exchange. Management Science Letters, 3 (10), 2631-2634.

Heineberg, R., & Procianoy, J. L. (2003). Aspectos determinantes do pagamento de proventos em dinheiro das empresas com ações negociadas na Bovespa. In: Encontro Nacional da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Administração, 27, Atibaia.

Kimberly, J. R., & Miles, R. (Orgs.). (1980). The Organizational Life Cycle: Issues in the Creation, Transformation, and Decline of Organizations. San Francisco: Jossey-Bass.

La Porta, R., Lopez‐de‐Silanes, F., Shleifer, A., & Vishny, R. W. (2000). Agency problems and dividend policies around the world. The journal of finance, 55(1), 1-33.

Lima, A. S., Carvalho, A. E., Paulo, E., & Girão, L. F. A. P. (2015). Estágios do Ciclo de Vida e Qualidade das Informações Contábeis no Brasil. Revista de Administração Contemporânea, 19 (3), 398–418.

Lintner, J. (1956). Distribution of incomes of corporations among dividends, retained earnings and taxes. American Economic Review, 46 (2), 97-113.

Litzenberger, R. H., & Ramaswamy, K. (1979). The effect of personal taxes and dividends on capital asset prices: theory and empirical evidence. Journal of Financial Economics, 7 (2), 163-195.

Martins, A. I., & Famá R. (2012). O que revelam os estudos realizados no Brasil sobre política de dividendos? RAE-Revista de Administração de Empresas, 52 (1), 024-039.

Miller, D. (1986). Configurations of strategy and structure: Towards a synthesis. Strategic management journal, 7 (3), 233-249.

Miller, D., & Friesen, P. H. (1984). A longitudinal study of the corporate life cycle. Management Science, 30, 1161-1183.

Miller, M. H., & Modigliani, F. (1961). Dividend policy, growth and the valuation of shares. Journal of Business, 34 (4), 411-433.

Miller, M. H., & Modigliani, F. (1963). Dividend policy and market valuation: a reply. The Journal of Business, 36 (1), 116-119.

Milliman, J., Von Glinow, M. A., & Nathan, M. (1991). Organizational life cycles and strategic international human resource management in multinational companies: Implications for congruency theory. Academy of Management Review, 16, 318-339.

Mintzberg, H. (1984). Power and organization life cycles. Academy of Management Review, 9 (2), 207-224.

Mintzberg, H. (1973). Strategy making in three modes. California Management Review, 16, 44-53.

Mota, D. C (2007). Dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de ações: um estudo empírico sobre a política de distribuição no Brasil. Dissertação de mestrado não publicada. Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas, EAESP-FGV, São Paulo, Brasil.

Mueller, D. C. (1972). A Life Cycle Theory of the Firm. The Journal of Industrial Economics, 20 (3), 199-219.

Procianoy, J. L. (2006). A política de dividendos e o preço das ações. In: Varga, G., & Leal, R. P. C. (Orgs). Gestão de investimentos e fundos (pp. 39-164). Rio de Janeiro: Financial.

Quinn, R. E., & Cameron, K. (1983). Organizational life cycles and shifting criteria of effectiveness: Some preliminary evidence. Management Science, 29, 33-51.

Raupp, F. M., & Beuren, I. M. (2014). Metodologia da Pesquisa Aplicável às Ciências Sociais. In: Beuren, I. M. (Org.). Como Elaborar Trabalhos Monográficos em Contabilidade: Teoria e Prática (pp. 76-97). São Paulo: Atlas.

Richardson, R. J. (1999). Pesquisa social: métodos e técnicas. (3. ed.). São Paulo: Atlas.

Rumelt, R. (1974). Strategy, Structure and Economic Performance. Boston: Harvard University Press.

Salsa, M. L. C. R. (2010). Política de dividendos e ciclo de vida das empresas. Revista Encontros Científicos-Tourism & Management Studies, 6, 162-174.

Stepanyan, G. G., Firm Life Cycle and the Choice of the Form of Payout (October 20, 2011). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=1632834.

Stickney, C.P., & Weil, R.L. (2001). Contabilidade financeira: uma introdução aos métodos e usos. São Paulo: Atlas.

Victor, F., Carlin, D. O.; Mastella, M. (2014). Impactos do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade: uma análise da política de dividendos. Revista ConTexto, 14 (28).

White, G. L., Sondhi, A. C., & Fried, D. (2003). The analysis and use of financial statements (3th ed.). Hoboken: Wiley.




DOI: http://dx.doi.org/10.18227/2237-8057rarr.v10i0.6044

Revista de Administração de Roraima -RARR
Roraima Management Review -RMR
e-ISSN: 2237-8057 | DOI: 10.18227/2237-8057rarr
Centro de Ciências Administrativas e Econômicas
Departamento de Administração
Universidade Federal de Roraima
Boa Vista - Roraima - Brasil

Telefone:+55 (95)3621-3149
Email:rarr.ufrr@gmail.com
Endereço:Av. Cap. Ene Garcez, 2413, bloco II, sala 243
Bairro Aeroporto, Campus Paricarana - UFRR
Cep:69310-000
Revista sob
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Bookmark and Share