Uso, ocupação e cobertura do solo nas serras secas do noroeste cearense

uma análise sazonal comparativa entre os períodos seco e chuvoso por meio de sensoriamento remoto

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18227/2177-4307.acta.v19i54.8768

Palavras-chave:

Uso, Ocupação e Cobertura do Solo, Serras Secas, Sensoriamento Remoto, Semiárido, Sazonalidade

Resumo

As serras secas da Timbaúba, São Joaquim e Dom Simão, localizadas no noroeste do Ceará e inseridas no bioma Caatinga, apresentam especificidades geoambientais relevantes ao entendimento de sua dinâmica natural e antrópica. Este artigo tem como objetivo analisar o uso, ocupação e cobertura do solo na área em questão e seu entorno, comparando os períodos seco e chuvoso. Para esse fim, foram utilizadas imagens de satélite Sentinel-2 processadas no software QGIS 3.40, com aplicação do algoritmo Random Forest, além de verificações em campo que possibilitou a validação dos mapeamentos. Os resultados demostraram um aumento significativo da vegetação natural no período chuvoso, passando de 473,52 km2 (62,48%) para 672,06 km2 (88,69%). As culturas temporárias, identificadas em 198,54 km2, não foram discriminadas no período chuvoso devido a homogeneidade da vegetação densificada. As áreas de ocupação humana e de rocha exposta permaneceram estáveis, já os corpos hídricos apresentaram aumento sazonal e o solo exposto apresentou redução durante as chuvas. Conclui-se que a sazonalidade possui influência direta na configuração da paisagem, revelando fragilidades no período seco, como maior suscetibilidade à erosão, e potencialidades no período chuvoso, como a regeneração da vegetação e a ampliação da disponibilidade hídrica. Nesse sentido, destaca-se a importância de políticas públicas e práticas de manejo sustentável que conciliem a conservação ambiental e atividades produtivas, garantindo a manutenção dos recursos naturais e da integridade das serras secas.

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Biografia do Autor

Moises Fernandes Matos, Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA

Graduado em Geografia (bacharelado e licenciatura), expectivamente pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA (2022) e Centro Universitário Cidade Verde - UNICV (2024). Possui Especialização em Práticas de Ensino em Geografia pela Faculdade Campos Elíseos - FCE (2023) e em Gestão Escolar pelo Centro Universitário Cidade Verde - UNICV (2024). Possui também, Técnico de Nível Médio, no Eixo Tecnológico Informação e Comunicação - Tecnico em Informática pelo Centro de Ensino e Treinamento Aplicado a Profissionais/CETAP (2016). Foi Estagiário em Geografia no Programa de Estágio do SESC-CE (2018-2019). Foi Bolsista de Iniciação Ciêntifica atuando em projeto de pesquisa no Programa PIC/PBPU (2021). Atualmente é Bolsista CAPES no Programa de Pós-graduação em Geografia (Geografia Física) da Universidade Estadual Vale do Acaraú (PROPGEO/UVA). E faz parte como membro-pesquisador do Laboratório de Estudos Ambientais e Climáticos (LEAC-UVA), atuando nas seguintes pesquisas: O Uso de Drones voltado ao Estudo da Variabilidade Vertical dos Parâmetros Climáticos das áreas Rurais do Entorno da Cidade de Sobral (PIC LEAC-03/2024); Produção de Dados Voltados ao Estudo da Variabilidade Vertical dos Parâmetros Climáticos da Cidade de Sobral por Meio do uso de Drones - zona urbana central/estação seca (PIC LEAC-01/2023-2025); e Análise ambiental integrada das serras secas do noroesteCearense: subsídio às ações de implementação da APA da serra da Ibiapaba (CAPES-PROPGEO/UVA)

Isorlanda Caracristi, Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA

Possui graduação em Bacharelado em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (1987) e doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo (2007). Desenvolveu Estágio Pós-Doutoral junto ao Laboratório de Climatologia Geográfica e Recursos Hídricos (LCGRH) do Departamento de Geografia da UFC. É professora associada da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e docente do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UVA (PROPGEO-UVA). Coordena o Laboratório de Estudos Ambientais e Climáticos (LEAC) e o Grupo de Pesquisa "Estudos Geográficos de Sistemas Ambientais e Climas Intrarregionais". É editora chefe da Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS) - Qualis A2. Tem experiência e publicações na área de Geografia Física, com ênfase em Climatologia Geográfica, atuando principalmente nos seguintes temas: geografia física, climatologia geográfica, meio ambiente e teoria e método em geografia física. Atuou durante muitos anos das Diretorias da AGB Nacional e Seção Fortaleza e hoje é membro titular do Fórum Cearense de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Combate à Desertificação FCMC. 

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Publicado

30/12/2025